segunda-feira

Mulher esqueleto

A mulher esqueleto ganha novas formas e se permite ganhar um novo olhar sobre si mesma. Sombra e risos se alongam e fazem surgir carnes onde houvera morte.

Boa morte que permite nos despojar de carnes velhas por onde a seiva já não circula. E graças a ela, pode-se ver surgir a cada toque partes íntegras...pedacinhos flamejantes de empolgação que vão cobrindo, recapando, uniformizando aquele ser.

Então a mulher esqueleto ajoelha-se nua e forte e clama pelo companheiro de jornada. Porque um novo ciclo começou e está em tempo de correr. Assism, na noite, ela corre, e corre...pés descalços, fogo no olhar. Não corre só...

Se deixa entrelaçar por novas histórias, também por visões e até um certo orvalho no riso da manhã. Já não há mais medo de morrer e esperar nas profundezas até que um pescador sem medo a traga à tona, lhe sopre vida e convide a correr. Livre novamente...

terça-feira

Um sorriso na alma...
Eu carrego um sorriso na alma. Depois da tempestade, depois da inundação, depois de tanta dificuldade e tanta degradação.
É, eu tenho este sorriso imenso brotando.
Ando ereta, livre, passos leves
Liberta...encontrei a mulher em mim

segunda-feira

Desejo

...Então na noite quente vi você se aproximar a passos lentos. A escuridão nada revelava de você.
Mas você veio. O estranho que era você veio até mim.
Anjo negro, o Anteros a quem nunca imaginei sentir. Pois eu senti...senti seu toque, seu hálito seu gosto. Provei você inteiro naquele instante.
E você o que fez? Anjo mau, acordou o vulcão extinto que havia em mim.
Me deixou trêmula, sôfrega, insana...e se foi.
Quando se fez noite você se foi. Só pude ver seus cachos num relance e um certo cheiro seu ficou no ar.
Com você eu me desfiz. Rompi em mim o abrigo, o resguardo, todo o meu controle...interrompi meu tempo, me joguei em um abismo de desejo e loucura; despetalei.
Você me despertou, descongelou, arrebatou e se foi.
E agora, sempre que vem a noite eu quero mais...eu quero tudo...eu quero o mundo.