terça-feira

TUDO O QUE PODE SER

Pode ser encantamento entre a alma escondida em uns olhos de asa da Graúna ou em uns olhos de asa de Pardal...
Pode ser uma nova forma de paixão pela anatomia cerebral
Pode ser, quem sabe, emoção do roçar na pele nua e crua por inteiro.
Até pode ser um absurdo tesão um com os pelos, outro com os cabelos...e ambos pelo cheiro.
Ou poderá ser pela conversa que permite uns risos e umas divergências.
Pode ser ainda o encontro de Narciso com seu duplo...
O encontro de um Anteros caído e uma Venus espoliada.
Ou o contrário; ser o desencontro de quem sem relógio se prende às horas, com aquele que é absorvido pelo tempo mas se algema à relógios.
Duas ansiedades, dois egos marcantes, duas auto estimas sensíveis?!!! Será isto?
Pode ser inclusive um quebra-cabeça de encaixe onde um tem o sulco e o outro a protuberância que se ajustam tanto.
Talvez pra você, pareça a oportunidade do romantismo filosófico conhecer a aparente distração daquele que se importa.
Duas profundidades...
A fraternidade do gênio ruim com o mau gênio?
Ou apenas genialidades sem maldade?
Não me seria estranho se fosse a praticidade crua vencendo a diligência.
Pode ser também a ingenuidade interiorana e a vivência metropolitana brincando juntas.
Será que adolescência e maturidade resolveram se misturar?
Ou mesmo a exibidinha e o pouco humilde que estão se reconhecendo divertidos.
Pode ser um espelho d'água...
A batalha fatal entre verdade agressiva e sinceridade assassina?
Pode ser a aproximação entre uma 'virgem da terra' e um astronauta de mármore.
Pode ser um elo entre o gosto pelo passado e a curiosidade pelo futuro.
Uma conservadora e um inovador
Um ato de coragem numa noite quente e um ato de bravura na mesma noite quente.
Pode ser a combinação do ronronar com os suspiros entrecortados.
É possivel atribuir tudo a "Moira"?
Não...não só. Ou nenhum pouco a ele.
Na verdade é muito menos do que tudo isto. E é algo bem maior...
É química; e eu afirmo com autoridade. Química pura, básica, simples. Fórmula antiga...primordial:
Duas moléculas de hidrogênio e muita...mas muita oxigenação!!!!!!!!!!!
Resulta nisto. Duas vertentes cristalinas escorrendo juntas. Cavando um leito de pedras antigo, revolvendo bancos de areia do caminho, criando redemoinhos.
Oxigenando!!!
H2O...............
Uma força...um tsunami...um perigo...
Surfar no prazer. Navegar no espaço. Mergulhar na descoberta.Ter sede e beber.
Abrir os olhos quando se está lá.
A mesma química do nascimento e da finitude. Do recobrimento e da corrosão...das eras.
Excitação de duas moléculas de hidrogênio vibrando e ressoando...com suficiente oxigênio; sempre.
Hidrogênio atômico? vá saber!!! Choque magnífico...aquoso e galáctico.
Na verdade, uma reunião de mundos.
É o que somos. Tudo o que isto é,
e o que poderá sempre haver.
Correndo sem curso...escorrendo em intercursos.
Livres, é o que podemos ser.

Jaqueline Mendes
29 maio 2011

CINEMA NUNCA FOI MEU FORTE


Durante minha infância as matinês de domingo eram motivo para sair de casa com os primos, não para ver os filmes. Na adolescência era uma expectadora daqueles filmes no meio da tarde, alguns com um papai “batuta”, ou uns corsários no velho estilo. Claro que admirei o que as massas admiravam...Ben Hur, E o vento levou. Essas coisas.Tudo sempre sem comprometimento. E claro, pesa o fato de que o cinema da minha cidadezinha de interior faliu na década de 80. Eu não tinha mesmo como ser cinéfila.
Entrei pra faculdade de jornalismo, quando ter 18 anos ainda significava ser uma “pirralha” bobona e sem noção. Bobona e sem noção é um estado permanente, mas naqueles tempos a coisa era bem pior. Quando olhei o currículo do curso, vi lá as cadeiras de cinema. Achei ótimo. Parecia que eu ia ser salva da ignorância cinematográfica...Bem, o mesmo professor lecionava Cinema 1 e Cinema 2. Era um cara Chamado Reis, um “crítico de cinema” local. E bem local. Mas o cara era respeitado e realmente entendia da arte. Um tipo baixo, grisalho e ensimesmado...e que tinha como particularidades gostar de filmes Noir e exercer o ofício de professor em permanente monólogo. Sempre em tom baixo e no mesmo ritmo sonolento. Ele também não admitia um pio. Já o cochilo em aula não lhe afetava a auto-estima. Rsrsrs...Pois é um fato, que as cadeiras de cinema aterrorizavam e causavam muita reprovação. Fiquei sabendo o motivo já na minha primeira aula com ele. Exames orais !!!  O tal do Reis aplicava exames orais onde os alunos deveriam mostrar vários posicionamentos de câmera, tomadas de cena e tal. Todo mundo morria de pavor disso. Eu surtei por outro detalhe: o exame era oral prático e também teórico. Puta merda !!! eu nunca tinha sido sabatinada na frente de ninguém nem no primário, e agora ia encarar um negócio daqueles. E mais; sobre cinema. E pior; o homem tinha fixação em datas. E o impossível; eu não tenho memória pra datas ou nomes de ruas.
Vi que não ia me tornar expert em cinema com a ajuda da faculdade. Como aluna novata, CDF e com mania de competir com o espelho; passei com louvor. Assim como passei com louvor na única cadeira que me causou risco de enfarte. A tal da Lógica...mas esta é outra história. O que fiz pra ser aprovada foi estudar como que para salvar a minha vida e esquecer tudo imediatamente após vomitar em cima do homem. E cinema pra mim voltou a ser pipoca e diversão.  Adoro filmes e isto é muito diferente de apreciar cinema. Gosto de bobagens comerciais, desenho animado, alguns heroísmos, um bocado de barbárie e até algum terror...eclética até sou, mas não tenho intelecto para o Cult ou filmes franceses. Não sei nada de diretores. Sei pouco de atores. Comédia, pra mim só se opõe ao trágico, porque graça nunca achei. Não tenho idéia de quem está fora ou dentro da tal “academia”. Apenas suspeito o que é “alternativo”. Não to nem aí pra Cannes ou pro Quiquito. Acho que a festa do Oscar é para lançar vestidos e jóias. Ok, sou sensível às trilhas sonoras, a uma bela fotografia...coisa comum. Não, nunca vou ser cinéfila. E parece que não fui a única a desistir...vejam onde o Jabor foi parar.












ANA PÃO E CIRCO

Sempre fui fã da cantora Ana Carolina. Bom, fã é meio exagero mas uma grande admiradora de seu trabalho. Ana que na minha humilde opinião é a melhor voz e violão que há hoje por aí.

Pois eu nunca tinha tido oportunidade de ir a um show dela. Vontade que decidi saciar neste fim de semana. E que vai fazer parte da história da minha vida por diversos motivos. Mas falando de música...esta estrela da música brasileira causou uma tremenda decepção em seu público cativo. Pelo menos nos não tão alucinados a ponto de perder o senso crítico. O show foi péssimo. Um tremendo fiasco que só serviu pra me dar a conhecer a total falta de profissionalismo e a arrogância de algumas pessoas que alcançam o topo da esfera. Pelo menos os que se dão este direito. Coisa pequena. Coisa chata. A cantora que adoro ou adorava, que sempre me emocionou, que aparentava tanta sensibilidade e arregimenta legiões que se misturam sem preconceito. Esta cantora, pra mim, não existe.

A cantora da legião de fãs e súditos. Legião de pessoas que compram CD original e ingresso de show. Legião dos que levam seu som pro exterior, que presenteiam com suas verdades, que representam momentos particulares com o poder entorpecente de uma cantora magnífica.

O povo precisa de pão e circo. Vamos admitir. Mas veja bem, a gente evoluiu um pouquinho. Claro que vemos o Faustão e o Big Brother. E assistimos impávidos ao Palocci porque temos o “bolsa pão”, ou porque somos preguiçosos demais pra gritar com o “leão”.

Mas espere; dizem que sou cristã, mas eu não sou cordeiro. O show da D. Ana Carolina no teatro do SESI em Porto Alegre neste final de maio de 2011, ano de Nosso Senhor...foi uma afronta ao seu público. Aos pagantes, como eu. A quem tinha expectativas como eu.

No chão do palco um pano negro amarfanhado e roto. De um lado jogaram uma bateria qualquer e do outro um tecladinho de escola de música. Um trilho aparente e uma grua mal feita onde descansava um violoncelo. No meio o esperado banquinho. De fundo imagens péssimas de pinturas terríveis que a cantora decidiu vender...por uma causa. Só ficou esclarecido pra mim que o show era em benefício de pacientes diabéticos quando ela enunciou que: “o show de hoje não vai ser o que vocês esperavam”. Também disse que estava fazendo uns experimentos musicais, acho que pra justificar a tentativa de ver unidade em um samba e “entre tapas e beijos”, coisa muito desarranjada. Fora isto, a platéia da Ana foi apenas o fã clube; umas 20 garotas pulando lá na frente (é um teatro onde todos ficam sentados) com camisetas. Ela sequer passou os olhos pelo resto do pessoal, e vejam que alguém ousou gritar um “olha pra cima” lá no mesanino.  Espetáculo inferior ao “tempo regulamentar” na música...mal tocado, mal cantado, sem vontade e sem respeito. Sem artista, sem produção.

O pessoal do diabetes merecia mais. Se você se compromete a emprestar seu nome a uma causa, o faça com boa vontade.  Eu que ando com o açúcar alto, e que rodei 250Km pra ver e ouvir Ana Carolina, merecia mais. Amarguei um arrependimento irado. Fazer parte da platéia desta cantora novamente? Nem morta. Seus lançamentos já não me interessam. Provavelmente ela escreve e canta o que nem reconhece. E obviamente não precisa mais que consumam sua arte. Ou nem precisou um dia, sei lá. Não sou fã a ponto de saber sua história. Só sei que é diabética...e que é mais um caso de impostura nacional.




segunda-feira

QUERO ALGUÉM

Eu soube há algum tempo que estava pronta. Soube e me surpreendi.
Vou confessar aqui...eu quero alguém.
Eu, ferida de morte um dia; quero alguém.
Eu, já curada agora; quero alguém.
Mas o alguém que quero tão ímpar que me mete medo não encontrá-lo.
Pra começar quero alguém pra ler comigo na cama à noite. Não é muita exigência e é exigência demais. Tem que chegar e me convidar pra adquirir um segunda lâmpada de leitura para o antes "meu" quarto. Vai precisar ser meio morcego, maluco por livros e por umas músicas meio estranhas...new age, blues...e coisas piores. Do tipo que ama dormir até tarde, ou acordar e ficar na cama. Que adore comer porcarias, não seja viciado em malhar e goste de cruzar fronteiras as vezes.
Alguém que convide pra comer um cachorro quente à meia-noite e depois andar na praia na madrugada fria de julho. Mas que ache ainda melhor chegar de volta, acender a lareira e conversar até o dia raiar.
Só é aceitável se tiver mãos - preferencialmente também os pés - bonitos. E cabelos abundantes me agradam muito.
Essencial que tenha muito cérebro. Se tiver inteligência emocional para equilibrar a nós dois, melhor.
Honesto, digno, sincero. Que veja o sexo como algo mágico e a vida com olhos de quem encanta serpentes todo dia.
Eu quero alguém que diga que vai passar uns 3 ou 4 dias na própria casa por estar precisando do seu espaço - e eu do meu. E que na volta, me encoste na parede com força e me de um beijo longo pra matar a saudade de nós dois.
É, verdade seja dita...eu quero alguém. Não precisa ser urgente, mas eu vou querer alguém. Contrariando meus próprios desígnios eu vou sim.
Pode haver pertencimento, sem a indébita apropriação da minha solitude.
Alguém que não me peça demais, nem que me dê de menos...
Uma presença constante mesmo quando estiver por uns dias distante.
Eu me rendo, eu quero alguém.
Não vamos falar de amores adolescentes aqui. Nem de estropiantes paixões. Apenas maduro, livre, cuidadoso. Com disponibilidade e vontade. Disponibilidade pra nós dois e vontade de me enxergar por trás da capa.
Ainda é difícil pra mim mesma, aceitar...mas eu quero mesmo alguém. 

NOVA CONVERSA SOBRE AMOR

Confessei hoje à uma amiga que não vai rolar...
Ela também confessou a mim que  já não há encanto...
É bem isto. Fiz esforço, me enganei, procurei ver as coisas sob uma luminosidade especial. Mas o fato é que o 'verniz social' vai fazendo a gente ficar algumas camadas mais dura, mais intransponível, mais à prova de tudo. Inclusive do amor em seu estado mais puro.
Eu já amei...e quem já amou sabe. Para amar daquela forma transcendental que amamos quando jovens é preciso uma ingenuidade, uma credulidade que vamos perdendo com o passar do tempo. E vem a capacidade de análise, o senso crítico, a exigência, a experiência, a segurança, e mais uma batelada de coisas bem avessas a um ideal do 'tudo cor-de-rosa'. É bonitinho amar, mas é bem bobo também...
Não, não acredito que vá se repetir. Uma pena. A idéia do amor até que é fascinante.  
Talvez eu tenha mesmo estado durante muito tempo apaixonada pela idéia, não pela realidade. É que a aceitação de viver sem o sublime sentimento dos poetas me era aterradora. Precisa maturidade pra aceitar que já não dá mais, que passou, que se está num outro patamar.  Verdade seja dita, ninguém quer crescer. Ninguém quer enxergar o óbvio. Ninguém quer dar adeus às melhores fases da vida.
Talvez eu esteja errada e um dia possa sentir algo semelhante. Quem sabe muito melhor, sem tantos percalços e instabilidades. Hummm...sei não; acreditar no "até que a morte nos separe" não é mais a minha cara. Foi um dia, e foi bem legal já que eu era ingênua pra crer piamente. Valeu, foi bom de viver. Hoje acredito mais no "até que a vida nos separe, ou nossas manias, ou alguém, ou diferentes objetivos..." Creio que aposto ainda mais no "até nunca mais, ou até o meu retorno, ou até um dia desses; ou ainda num até que a gente se esbarre por aí, ou até nosso próximo dia agendado..."
Parece tão mais de acordo conosco hoje, não é amiga?!!!
Por ora seguimos conversando sobre o amor como era...nos Tempos do Cólera, nos tempos de Ases Indomáveis na matiné, no tempo de passar o Bubaloo de uma boca à outra, no tempo em que não tínhamos a real dimensão da coisa... ou seja, que quanto mais se sabe, quanto mais se vive, quanto mais tudo...mais envernizadas ficamos.

ADEUS PANQUECA

'Bandarlogs' no convívio social
Não há mais onde comer Crepe Suzette na minha cidade.
O  verdadeiro Crepe Suzette quero dizer; aquela panqueca francesa, sofisticada, deliciosa, leve...
Então lembrei de uma noite no início deste ano em que eu e outra pessoa resolvemos jantar no gostoso ambiente da creperia que havia por aqui.
Ao chegarmos havia outras 3 mesas ocupadas.
Sentei, pedi meu crepe de trigo sarraceno recheado de frango e coberto com molho de mostarda. Sou uma mulher de hábitos.
... E então me dei conta de que seria impossível curtir o jantar agradavelmente.
Dois cidadãos, cada um em sua mesa e cada um com sua respectiva esposa, conversavam aos brados entre si. O assunto era política. Cada qual parecia mais entendido e cada qual gritava mais e se empolgava mais...
...esquerda, centro, direita...uma ex frequentadora do pau-de-arara chegando à presidência...o poder que muda de mãos...as ironias...Jangos, Jânios e Getúlios...
As esposas; cabisbaixas, troca de olhares e meio-sorrisos tortos. As vezes alguma concordância murmurada.
Nós, eu a minha amiga, mudas sem conseguir conversar. Sufocadas pela deselegância de dois elegantes membros da comunidade. A demagogia invasiva não acabava nunca. Os pareceres surgiam daqui e de lá num bate-bola empolgado e rápido.
Comemos nossos crepes e fomos embora com as vozes ecoando nos ouvidos.
Bem, soube agora que a creperia fechou; deixou de existir.
Talvez porque o dono - francês autêntico que deve ter estudado no primário sobre revolução - não tenha tido saco para aguentar as conclusões políticas de seus clientes.
Talvez porque a maioria dos clientes que queria apenas comer um bom crepe, tomar um bom vinho e relaxar não tenha tido saco para aguentar outros frequentadores.
Conclusão: o inverno aí está. E não temos mais a simpática creperia e suas iguarias originalíssimas.
Mais uma vez digo aqui...três vivas e uma salva de fuzil aos 'Bandarlogs'...
Agora falando em fuzil eu tive uma idéia...rsrsrsrs...meu avô tinha um lindo fuzil com direito a baioneta e tudo. Onde será que anda? Não, eu não estava pensando na 'Legião Estrangeira' para ir atrás de Crepes...rsrsrsrsrs... Sou moderninha, só estava pensando que carregá-lo por aí talvez fosse indicado ao 'convívio social' no final das contas.
 Já que não dispomos de Crepe, poderíamos experimentar 'cérebro de Bandarlog', uma iguaria finíssima para alguns povos. Fácil de encontrar em todo lugar...

HOMENS E MULHERES

O bom da vida é que ela é imoral, ilegal e meio promíscua...
Eu a tenho visto como tendo surgido da imaginação de um Nelson Rodrigues, sei lá...
Vejo um cara que quer dar um tempo sozinho, vejo alguns caras que descobriram as ninfetas, vejo um cara que ama a que ficou pra trás, vejo o cara que quer a mulher de alguém, vejo caras que simplesmente não querem aquela mulher, ou o que querem dinheiro e poder, e até os que gostam de contar. Vejo os cafajestes, os covardes, os dignos, os que amam e os que não tem idéia do que é amar. Estão todos certos e todos loucos em diferentes medidas.
E então eu olho em torno de mim e vejo as mulheres. Vejo mulheres que querem dinheiro, as que amam o ex ou o morto, vejo mulheres que pensam demais no trabalho, as que não são afim daquele cara, as que são afim de um determinado cara, ou as que gostam do que é fugaz. Vejo mulheres que passam a vida amando um alguém, vejo as que nunca souberam o que é um amor, vejo as calhordas e as que precisam se afirmar. E estão todas certas e todas loucas em diferentes medidas.
Então repito, felizmente a vida pode ser ilegal, imoral e promíscua...só que nunca indolor e também nunca proibitiva ou definitiva. Caras ou garotas, eu digo a vocês que tanto faz. A gente muda de categoria o quanto quiser...ao sabor dos ventos e das marés.

domingo

O SEIXO E O RIO

Quando alguém joga o seixo no rio, suas formas mudam para sempre.
Você é pedra e eu sou rio. Então depois de você, meu curso é inusitado, não vou mais deslizar serena...porque eu me expandi para receber você.
Mais que rio de marolas e barulho suaves, eu agora tenho urgência de rolar nós dois em direção ao mar...misturar o que há em nós com o sal e o sol. Também não há barreiras que me impeçam de abrir caminhos em sua direção...natureza irrefreável me tornei.
Vou te massagear, com o passar dos séculos te suavizar.
Você a pedra, que se perdeu em mim.
Eu o rio, que se modificou ao pressentir você...assim nós dois, um no outro e com pressa de chegar.

BAD THINGS


O Rádio toca um blues em que alguém com uma voz demoníaca diz "I want a bad things with you"...mas você é quem me assombra dias e noites.
Você que é a vingança dos excluídos.
Penso na cora da Harley a quem eu não quis. Penso no cara bonitinho e legal a quem eu não quis. Penso em todos os caras a quem não vou querer...
Meu telefone toca e é só mais um cara...busca uma boa conversa regada a um bom vinho; quem sabe também um sexo bom. Eu bem que precisava de um bom papo e uma Véuve Clicquot, e precisava também tentar um sexo pra tirar esse teu cheiro da minha alma. Só que minha resposta é não.
Bem eu enlouqueci, surtei, viajei legal. Contra todos os prognósticos e promessas feitas eu caí...asas derretidas e tua imagem solar fixada na retina. Continuo caindo, mão estendida...caindo.
Alguém canta agora algo como "take my hands". Vou desligar o telefone e parar o relógio...ficar com o blues e uma garrafa de espumante barato.
Faço um brinde a você...é o que me resta nesta noite só.