Quem foi a maligna criatura que inventou os fones de ouvido, os aparelhos de Mp3 e os celulares com direito a playlist musical?
Só vou dizer uma coisinha bem no pé do ouvido de quem anda por aí de fones...ABAIXA O SOM DESSA M!!!!!
Eu, quem está atrás, na frente, ao lado...do outro lado da rua, dobrando a esquina, na Austrália e na China; NÃO estamos afim de ouvir o baticum da sua musiquinha indecifrável que depois de trombar contra seu pobre e deteriorado tímpano, volta direto pra nós.
3,5 hs viajando com o retumbar dos fones de alguém no assento de trás é demais pra mim.
Mas estou vingada. A criatura obrigatoriamente perdeu 30% de sua audição só nesta viagem.
Não, não estou vingada. A criatura vai aumentar mais ainda o volume e ferir a sensibilidade de outro pobre mortal.
Ei você...você mesmo aí, sem desconfiômetro. Abaixa essa droga de som!!!
terça-feira
quinta-feira
Trem Bala
Nas últimas campanhas presidenciais falou-se muito em trens. A gente sabe que em época de campanha se redescobrem objetivos perdidos a torto e a direito. Mas trens sempre foram um tema que me motivou a questionamentos.
Já ouvi mil teorias sobre a preferência pela implantação desta imensa e tenebrosa malha rodoviária no Brasil em detrimento de ferrovias. E também sei que se tivessem sido implantadas ferrovias em quantidade estariam iguais as de filme de faroeste.
Quando penso em trens, penso em Japão. Como não pensar?
Eu, por exemplo estou querendo ir esta semana até a capital do meu estado. De minha cidade até Porto Alegre se vai em cerca de 2hs. Em um ônibus vou levar desgraçadas 3 horas e meia. Tempo que dá pra recuperar o sono, ler, ouvir música, se chatear com os demais passageiros...um tempo imenso que nos faz perder tempo.
Então não posso deixar de imaginar um trem. Um daqueles elevados, rombudos e lustrosos que passeiam sem tocar nos trilhos como aviões à jato em forma de centopéia. Ele deveria começar em Buenos Aires, imaginem nós ligados à capital Portenha. Os garotos iam poder assistir aos jogos na La Bombonera...hahahá. Ele viria direto ao Rio Grande do Sul com paradas instantâneas em algumas cidades. Depois Santa Catarina - nem precisava entrar na ilha - Paraná, São Paulo...Rio a gente deixa de fora porque tem que fazer um desvio e não quero ver meu trem queimado. Subia por Minas em direção à Bahia ia direto para Alagoas, depois Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Faria uma grande curva e seguiria pelo Maranhão, Amapá e Roraima.
Sua última estação seria em alguma cidade da Amazônia.
Pensem na maravilha, no fluxo de pessoas e de negócios...
O preço deveria ser menor que de uma passagem de avião. Vamos desafogar os aeroportos e terminar com esse gasto ridículo de combustível. As poltronas teriam mais de 40 cm de largura, haveria banheiros e lancheria privatizados.
Minutos e puft. Estou na estação de Porto Alegre. E se me der na telha, mais um instante e posso estar curtindo uma praia no Nordeste.
Não sei se vocês repararam mas a rota do meu trem tem o formato de um ponto de interrogação.
Tem sim. No meio, inacessível, está a planaltina. Descomposta, abandonada, árida em todos os sentidos. Quem sabe até ocupada pelo Michel Temer. Já basta pro trem não passar.
Não ia dar pra conviver com o pessoal do colarinho branco querendo levar malas suspeitas até o Maranhão num passe de mágica.
Não, meu trem é japonês lembram?...é honesto, funciona e visa o avanço do País. Nada semelhante à região do planalto. Então, eles a gente ignora já que tem que engolir.
To só pensando na minha ida pra capital. O quê seria, uns 15 minutinhos no meu bólido imaginário?
Nem precisaria levar almofadinha, água, um livro de 600 páginas e um saco de paciência.
Ainda espero que amanhã não esteja muito calor, porque duvido que o ar condicionado do buzão esteja funcionando...eu não to no Japão afinal, não é.
segunda-feira
Prova

Como se chama o estado inverso à catatonia? Deve haver algo com este nome, uma síndrome, uma doença, um desespero qualquer que defina como estou me sentindo.
Sou daquelas criaturas que não podem ser colocadas à prova. Então desapareça, você vai dizer; porque todos os dias enfrentamos provas. Sim, eu respondo, eu desapareci faz tempo. Mas como continuo no modo de operação básico e algumas coisas absolutamente imprescindíveis eu preciso encarar...bom eu surtei.
Pessoas de quase 40 anos também fazem simulados, eu nem sabia. Mas hoje fiz um. Então no exato instante que alguém disse "hoje estamos fazendo um simulado para a prova "...acabou o jogo pra mim. Game over, the end...terminou a brincadeira. Eu saí do controle, perdi o domínio de mim. Parece brincadeira mas não é. Isso acontece com quem não sabe, errar, não confia em si, não aceita os tropeços e falhas...não as dos outros, porque com estas eu sou pra lá de tolerante. Essa sou eu. Não, mas aquela não podia ser eu hoje pela manhã. A pessoa que até o dia de ontem dominava totalmente a questão deixou seu lugar para uma menina de 8 anos de idade. Uma garotinha assustada sentada em frente a um quadro negro preenchido pela tabuada. Eu nunca consegui dominar os números - felizmente havia o alfabeto pra eu me sentir humana -. Foi sempre uma dificuldade sentar em frente de uma folha em branco e ver surgir no espaço da minha mente perturbada um neon com a frase "você não sabe"!!! E daí a coisa toda perdeu o controle e eu passei ao você não pode, você não consegue, você não vai...
Não há terapia que de jeito. Mesmo programada terapeuticamente como um cachorro adestrado, o neon maldito não queima com passar dos anos. É mais resistente que eu que saí correndo.
Dessa vez, como de outras, eu não vou poder sair correndo. Daqui a dois dias a prova vai ser feita por uma menina num corpo de mulher; olhos arregalados, respiração entre cortada, suor na testa. A nota? Nem quero imaginar.
Alguém me disse: não tente se garantir com um Rivotril, vai embotar seu cérebro. Talvez seja por aí o caminho; um cérebro embotado de uma mulher de 40 pode ser melhor que a nebulosa de uma criança fantasma que insiste em não buscar a luz.
quinta-feira
Solteirice
Eu e uma amiga conversáva-mos dia desses sobre a liberdade de viver em nossa própria casa. Claro que somos animais que formam matilha, ou casais...não ficamos muito tempo a sós se tivermos a opção de não ficar. Mas nós fomos lembrando uma à outra as delícias de não dividir nosso domínio com ninguém.
Na cama, dorme-se esparramado, no meio, atravessado ou do jeito que quiser. Sem ninguém que puxe cobertas, jogue braços ou pernas ou ronque. E quando se quer companhia basta convidar alguém...no meio da noite, se vai até a porta e dá beijinho de adeus. Quando acordamos não precisamos passar pela eterna cena matinal.
O banheiro de um solteiro(a) é território minado. Pode ter toalha jogada, restos de barba na pia, maquiagens esparramadas na bancada, calcinha ou cueca no registro do chuveiro. Quando se entra lá de novo está tudo do mesmo jeito e não tem ninguém para azucrinar.
Comer...se come o que quer, na hora que quer. Se você amar ervilha e a família ou parceiro odiar ervilha, você quase nunca vai comer. Mas uma pessoa solitária pode comer ervilha todos os dias se quiser. Ou pode optar pela lasanha congelada, pela pizza, pelo sanduíche com os restos que tem na geladeira. Em compensação ninguém vai devorar o chocolate ou o sorvete que estava guardado, o que é um crime grave no convívio entre pessoas num mesmo lar.
O armário de roupas...ah, o armário de roupas...ele é todo, todinho seu.
O programa de TV, você escolhe e ninguém mais vai se adonar do controle remoto.
O melhor lugar no sofá também é seu. Aliás qualquer lugar do sofá ou todo o sofá é seu.
O carro, não tem que dividir com ninguém nem pegar de tanque vazio ou com o banco e os espelhos fora do lugar.
A gente concluiu que não se consegue dar o real valor a preciosidades como esta. Estamos sempre em busca de alguém para invadir nossa vida, se espalhar em nosso território e revirar nossa rotina tão egoisticamente maravilhosa. Por que será que a gente não resiste?
Sente falta de uma perna invadindo nosso lado na cama, de comer o que não gosta, de ter que dividir o banheiro, de ver que o carro foi batido...Não adianta negar. Todo mundo adora.
A verdadeira dimensão da privacidade só se passa a ter, quando a loucura, a febre e a paixão passam. Ou quando os filhos vão embora de casa. Ou quando a irmã vai estudar em outra cidade.
Não conseguimos chegar a conclusão alguma sobre o que motiva esta insistência, essa dependência, essa busca desenfreada. Claro que os motivos são milhares, mas nós preferimos nem filosofar. Fato é que estamos aproveitando todas estas mordomias. E estamos a ponto de ceder nosso paraíso particular...de novo.
domingo
Maldição musical

A distância da minha casa até a beira da praia é de uma quadra. Eu vivo num bairro tranquilo onde os adolescentes da casa ao lado nem parecem existir.Então porque eu e talvez o pessoal de todas as casas ao longo de umas cinco ou dez quadras tem que escutar essa coisa horrenda que alguém tem a ousadia de chamar de música? Na minha própria sala essa coisa parece que está saindo do meu som. Não, não é do meu som...porque eu simplesmente odeio funk. Até nem digo nada dos movimentos sociais que ele envolve, juro. Mas odeio de morte esse tum, tum que sacode as janelas da minha paz.
Tem gente, eu sei, que acha ruins as letras. Mas que letras?
Isso que toca hoje tem até cavalo relinchando, eu juro. Já teve tigrão, já teve cachorras e agora fazem um elogio a si mesmos colocando relinchos no meio da 'música'.
Tá bom, eu não tenho legitimidade pra falar de música. Minha juventude foi na sombria década de 80 quando bom era Cazuza, Legião Urbana e afins. Eu acompanhei o Rock'n Rio -aquele do vinil do planeta na capa que alguém deve lembrar - madrugadas à fio com direito a Nina Hagen e Ozzy. E de lá pra cá eu me tornei um ser amorfo em termos de gosto musical. Eu curto muito o Pink Floyd, mas isso não me exime de gostar do Supertramp. E a coisa foi piorando com a idade quando me encantei por Sarah Brightman. Indo além eu curto muito ouvir Carmina Burana e o Fantasma da Ópera. E me rendo a piada gótica do Blackmore's Night.
Techno pra mim era bom quando o pessoal dava uma 'guaribada' no Chilli Pepers.
Agora mesmo o pancadão tá rolando solto. Não dá pra saber onde nem a que distância porque eles são móveis com direito a mega investimento até em luzes neon.
Voltando ao meu mau gosto musical, eu escuto ainda alguns blues, Vanessa Mae e até umas descobertas de algum amigo descolado. Claro que eu prefiro mesmo é a Ana Carolina e parafraseando uma música velha: 'Telma eu não sou gay'. Há, até se fosse podia estar mais bem acompanhada.
To me perdendo no assunto. Afinal como vocês querem que consiga concatenar as idéias com esse cavalo e alguém gritando 'baby' mil vezes sem parar.
Hoje não é exceção. Nem é porque o verão tá chegando. É a contracultura musical mesmo.
Claro que eu não entendo. Como vou entender se quando ando no carro escuto a Bonnie Tyler e canto Eclipse of the heart esganiçada com os vidros bem fechados pra não incomodar ninguém.Como diz a minha mãe, as músicas que eu gosto não são boas. Ela curte mais um Capital Inicial e dou o braço a torcer, ela é boa. Ela nem sabe do meu CD de música italiana do Renato Russo na fase mórbida.
Bom é domingo. Quem pensava em ler um jornal na rede ou cochilar não vai poder. Liberdade condicionada Srs. Eles tem direitos, nós não.
De minha parte vou me encerrar em casa e colocar um CD de Rock Balads no volume máximo, assim pode ser que nenhum refrão assassino cole na minha cabeça.
Ai, tarde demais.Baby you...baby you...
A Mensagem
Aconteceu de novo. Acordei de um sobressalto e o que corria nas minhas veias era lava pura. Minhas idéias tinham sido embaralhadas por um croupier de Vegas; eu nem sabia que dia era.
Tentei falar comigo e não consegui porque eu já não falo a mesma língua que eu.
Nãoooooo !!!!!
Foi só o que eu consegui vomitar antes que aquela dor me partisse ao meio de novo. Tudo porque olhei para o telefone e você estava lá num envelope fechado piscando pra mim. Foi o que me acordou. Não você com seus carinhos, apenas um você perdido pra mim. O terremoto em mim derrubou o telefone, o abajur e o meu controle. Até o envelope que mostra você parece elegante. Não parece um envelope sem cor na tela de um celular e quando abro o que salta no meu coração ferido não são palavras, mas a tua voz de homem na inteira posse de si mesmo.
Nada parecido comigo que nem me encontro em mim; já que num simples segundo sou arrastada da minha pretensa paz pelo tsunami chamado 'você'.
Vivo...você está vivo. Chega de mentir pra mim. Eu te matei de tantas formas e tantas vezes que passei a acreditar na minha obra. Eu te tatuei lentamente todo com meu nome e depois eu te cobri de pregos, te queimei à ferros e finalmente te esquartejei. No final eu comi teu coração porque só de olhar pra você já me dava fome.
Fiz tudo isso nas longas noites em que não houve um envelope piscando ou uma ligação. No meu desespero me tornei uma artesã da tua morte sem medo de confessar o crime de mulher desesperada. Sem me importar com o FBI ou a Interpol me perseguindo em sonhos pelo mundo à fora. Eu cheguei a vestir o quarto de branco e te crucificar num ritual pra poder assistir você implorar meu perdão por semanas...meses...anos...
E agora, justo agora que eu andava conseguindo sorrir, que eu andava podendo me ver no espelho você surge no meio da minha noite calma. Me arrasta pra essa dor titânica sem a menor vergonha de se fazer de fênix na minha vida.
Eu sei e você também sabe que seus sumiços me enlouquecem porque mostram que você não pensa em mim. E se você aparece eu enlouqueço porque é tentador pensar que você sente falta de mim. Na verdade fico esperando toda noite meu poltergeist voltar e me mandar abrir a porta. Chego a me ver correndo para o espelho e abrindo a porta pra deixar você tomar mais um pedaço roubado da minha vida com toda a arrogância que te é peculiar.
Não, eu não sou louca, você é que é. Você sabe que é louco de me perder e admite. E a cada vez eu me sinto mais cansada e te mando embora antes que me ajoelhe e implore por clemência. Eu chego a me ver, ali na sala, no robe transparente que comprei pra te impressionar. Eu ali, agarrada aos teus pés depois de você ter gravado seu cheiro em mim demarcando um território que não deveria mais ser seu. Por isso sempre te mando embora antes dessa cena patética e me jogo na cama pra te matar de novo.
É um processo terrível que arranca do meu calendário mais alguns dias. Dias e noites até poder entender de novo o que eu mesma falo e aquela lava esfriar em mim.
Então passa um tempo e você resolve me implodir de novo. E eu espero ansiosa você exercer seu direito de rebobinar a fita num movimento antigo que traduz a história de nós dois.
Me sinto assaltada e gosto. Me sinto ofendida e aceito. Me sinto uma doida e nem me importo mais. É minha punição preferida te permitir ser um morto que anda e que as vezes, só algumas vezes, parece ter voz pra mim. Depois você volta pra sua vida e eu fico aqui perdida em delírios.
Posso dizer de boca cheia que eu odeio você. Odeio esse seu poder, sua ironia e sua meiguice. Odeio suas mãos lindas e seu jeito único de me olhar sem me ver.
Você é execrável no seu egoísmo. Eu sou impagável na minha comiseração.
Chega agora de escarnecer da minha inteligência perdida. Quero perder a lucidez para um Valium. Mas antes eu vou desligar este maldito telefone mudo que me impede de dormir, esperando por você.
quarta-feira
Bunker
Vou transformar minha casa em um Bunker.
Você não sabe o que é um Bunker? Bem vou te contar em segredo. É um abrigo. Na verdade um abrigo anti aéreo para tempos sem paz. Algo como uma caixa de concreto cavada embaixo da terra contendo água, comida e alguns elementos básicos para sobrevivência por alguns dias.
Ok, você pegou a idéia...
Eu estive olhando hoje e achei que minha casa tem cara de Bunker...pode não me abrigar de bombas, mas me serve como um senhor abrigo. A sua não?
Vejamos:
Eu tenho litros e litros de Coca-Cola. Quanto a água eu vejo depois na internet como fazer a filtragem por algum processo químico e pego a que brotar do solo em volta.
Um armário eu notei hoje, está cheio de Miojo e latas de ervilha. Eu posso aprender na internet como conseguir mais vitaminas plantando umas cebolas em volta do abrigo.
Conto com a iluminação de 4 lanternas e 3 pacotes de vela. Dá pra ver que eu realmente me incomodo com a falta de luz.
Tenho uma pilha de lenha. Uma montanha de cobertores. Duas barras de chocolate. 18 ovos de galinha da colônia.
Vou ter que fabricar um radio para ouvir as últimas notícias do mundo tão...tão distante, já que no rádio as notícias tem mais glamour. Mas isso eu vejo na net também. Claro, meu computador tem bateria expandida e um 3 G de merda; mas serve. A não ser que os satélites entrem em pane...mas aí eu dou um jeito.
Tenho um cachorro aqui dentro e um saco grande de ração e dois de biscoitos caninos, então estou bem acompanhada. O freezer contém algumas carnes que vou acabar comendo mesmo sem gostar, mas esconde 3 pizzaz e 2 lasanhas pré prontas.
Numa gaveta eu sei que existe pilhas de tylenol, dorflex, ibuprofeno, e todos os enos e óis que necessitar. Devo ter sabonete pra uns 2 anos; shampoo pra mais que isso e pasta de dentes pro resto da vida. Humm, quanto ao papel higiênico tenho que calcular.
Mas o bom da coisa é que nada disso faz a mínima diferença. Porque no meu Bunker eu tenho o que realmente preciso pra viver por meses mantendo minha sanidade mental...livros.
Um sem fim de livros. Incontáveis lombadas de todas as cores e larguras em vários tipos de encadernações. Livros...livros às mãos cheias pra me preencher, cuidar, manter e alimentar.
Sim, minha casa é um Bunker. Agora vejo que sempre foi.
Quem tem uma casa mas não tem um Bunker que construa um. E rápido. Ninguém pode ficar sem proteção e alimento por muito tempo nestes tempos de guerra. Ninguém pode ficar preso na realidade da batalha diária sem ter pra onde correr...
Escolha seus ítens de sobrevivência e se abasteça. Você vai ficar tão melhor que nem mesmo o calor da batalha você vai sentir...do seu Bunker.
Educação pra quem precisa

Eu hoje tô de 'cara'...tô de cara com o mundo e com seus eméritos habitantes: nós.
Tenho todo o direito de dizer que nós somos uns 'Bandarlogs' uns macacos. Tudo isto por causa da educação. Não, a educação não tem culpa de nada...é a falta dela a culpada.
Fala-se tanto em educação. Mas parece que só falar basta, porque aplicar não vejo muitos fazendo.
Eu hoje fui ao supermercado. Início de mês com grana no bolso combinado com dia de ofertas da horta e você tem uma avalanche de atitudes e situações simiescas. Será que aquela pessoa que pega o maior carrinho do super e deixa no meio de um corredor enquanto percorre outros rumos com o segundo carrinho, se considera civilizada?
A criatura que para seu carro em frente à banca de tomates enquanto dezenas de olhos ansiosos perseguem o tomate bonito que ela põe no saco como se fosse o último fruto da sabedoria, em momento algum foca sua visão aguçada nos que cercam os tomates do outro lado da grade do seu carro escudo? E o casal de namorados que passeia de mãos dadas entre gôndolas não venezianas e se beija romanticamente em frente a estante de margarinas? O amor é um filme lindo queridos, mas vão pra casa, pra praça ou pra Madagascar.
A avó-coitada- cuida de todos os netos e quando vai ao super tem de levar pelo menos três. Ela resolve a situação dando um carrinho vazio pra cada criança...voilá, o autódromo está montado. O homem de meio-pouca idade que esqueceu os óculos e tenta escolher entre um pacote de presunto por 3,58 e um pacote de presunto por 4,10. Bom aí você olha e só tem os dois pacotes, então ajuda ele com o preço e pega correndo o que sobra antes que outra alma com boa visão passe a mão no 4,10 do seu lanche. A mulher e o marido brigam...discutem mãe e filha...um garoto quer salgadinhos de churrasco sem desistir do chocolate...E no final, bem lá no final desta odisséia quixotesca e grotesca, quando você acha que está quase a salvo, vê que puseram um carro atrás do seu...como é que pode???!!!!! Bom, o cara pode ter pensado que justo aquele carro era do ronda noturno e ia pernoitar tranquilamente no estacionamento...
A anarquia está instaurada. Somos mesmo uns Bandarlogs.
Não damos bom dia ao segurança do banco, não pedimos licença, respondemos a um pedido de licença com um torcer de boca e um rosnado. Não paramos na faixa de pedestres, não damos o banco do ônibus, jogamos chiclete na calçada, viramos os bancos da praça, fazemos tiro ao alvo nas lâmpadas da rua...
Sim, queridos. Tudo isto somos nós. Não me venha com um "eu não faço isto". Seu filho, seu irmão, sua mãe e até sua vovozinha fazem. Ah, e você também !
Educação é artigo de luxo. Custa caro e depois de usar uma vez pra todos verem que se tem, joga-se no armário das causas perdidas. Ah tá, a gente esquece; não se dá conta; não se liga nas coisas pequenas...
Não, não é questão de falta de educação dirão uns aí do outro lado. É o que então? Não me venham com a desculpa do estresse...
Amanhã, quando levantar da cama, pense se está usando a educação que alguém lhe deve ter dado. Começe dentro de casa, repita na portaria, leve até o trânsito, de lá para o trabalho e o jantar. E por favor...'pelamordedeus', a próxima vez que for ao supermercado leve e faça bom uso dela. O resto dos Bandarlogs agradece.
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