terça-feira

OS TRÊS AMORES GREGOS

Gostaria de dividir algo belíssimo que descobri hoje. Sou uma apaixonada por mitologia, e mais pela ligação que há entre os mitos e a natureza humana. Hoje lendo sobre a deusa Tétis encontrei este parecer sobre as divisões do amor baseado no ideal grego e no que representa hoje. Acompanhem que linda a elaboração de Eros, Filos e Ágape.
(...) para os antigos gregos o ser humano experimenta basicamente três formas de amor. Eros, o deus dos olhos vendados, nos atinge penetrando as barreiras do ego e dos mecanismos de defesa que criamos. Com Eros, sem lógica e sem razão ficamos apaixonados, mas não realmente pela pessoa, mas por quem queremos que ela seja. Mais tarde percebemos as particularidades da pessoa , e ela já não é mais o que pensávamos ser. Nos apaixonamos por causa da correspondência de vulnerabilidades, não pela correspondência de forças, e quando atentamos para as características do parceiro nossas defesas novamente se erguem. Algumas vezes criamos as barreiras do ego uma após a outra, enquanto buscamos o relacionamento perfeito. Nos relacionamentos apaixonados de Eros atraímos parceiros que tem o que falta em nós e neste tipo de amor a intensidade do Eros é sempre temporária. Mas os que sobrevivem podem se tornar Filos.
No amor de Filos, após o caos inicial da atração de Eros, o relacionamento muda na forma de compromisso. Começamos a reconhecer os reais valores do outro e nos propomos a partilha-los. Assim, num esforço para manter um estilo de vida, frequentemente as partes mais profundas do 'Eu' são suprimidas ou negadas. Geralmente há respeito e até profunda compreensão, o que pode levar, em alguns casos, ao tédio e ressentimento. O relacionamento de Filos é aquele em que as pessoas não se veem realmente e pensam muito no que 'poderia ter sido'. Mas um amor Filos, muitas vezes satisfaz mais do que a solidão.
E então há o Ágape (lembrei agora de um termo, creio que árabe, que descreve a pessoa amada como 'ágape mou').
No amor Ágape, as pessoas realmente se conhecem e partilham qualidades, defeitos, intimidades sexuais e morais, sociais e mentais. Neste tipo de relacionamento não amamos por causa de, ou apesar de...amamos apenas pelo sentimento. O amor Ágape não vem acompanhado da chama intensa de Eros, mas traz prazer e calma. Traz segurança, crescimento, amadurecimento. No amor deste gênero não há ressentimento de nenhum tipo, nem insegurança; cada um é livre. Um ser individual mas recíproco, sem jogos ou estratégias(...)
Pois bem, dizem que o amor Ágape, o ser humano só é capaz de sentir pelos filhos. Pois quando unidos ao sexo oposto, misturamos Eros e Filos...desejo, paixão e outros sentimentos mais. Nos tornamos possessívos, críticos; desejando sempre ser amados como amamos. Para o ser humano dar amor implica em receber, sempre.
O que me fez parar e pensar foi a observação da terapeuta que redigiu o artigo. Diz ela que:" estamos sempre correndo, buscando, e esquecemos de tentar fazer do encontro uma união. Acha-se que com uma nova pessoa temos a chance de entrar logo na fase Ágape, pulando etapas de sofrimento e mágoa. Ledo engano, amar é um eterno aprendizado, e quanto mais amamos, mais sentimos que nada sabemos dessa força poderosa".
Eu sei que há quem diga que o amor integral passaria pelas três etapas. No mito, na teoria...parece muito bonito alcançar o Ágape. Seria uma espécie de Olimpo do amor, onde só chegariam os vencedores desta batalha ímpar. Eu, muito particularmente, me canso só de pensar.
Se enfrentar Eros é lindamente complicado. Ultrapassar Filos é verdadeiramente insuportável, eu garanto. E chego a pensar que o inquestionável Ágape possa ser meio entediante, apesar de teoricamente belo.
Se a chama de Eros queima e agride, o extremo respeito de Filos nos encarcera e o Ágape é um sonho distante!...Ufa, com base no belíssimo entendimento grego para os fatos da vida, é melhor não amar. Ou amar apenas a si mesmo, mas este já é outro mito e outra história.

Fonte: Mitologia Grega Blogspot.com

La Luna

                                                          
A noite cai, silêncio
A escuridão respira silenciosamente
Apenas a Lua estará acordada
Ela nos cobrirá de prata
Ela brilhará no grande céu
Apenas a Lua estará acordada

Interlude

Se me perguntarem quando chorei assim, eu não quero dizer.
Por que foi, eu não quero pensar.
Está ventando, alguém mais pode sentir?
Só o fogo ilumina a escuridão em mim...
Escuridão que se fez, repentinamente assim...enorme.
Olhando o fogo, surgiram pensamentos, surgiram lágrimas;
Surgiu um rio, um lago, um oceano.
E eu depois de passado tanto tempo sentei ao piano.
Eu havia prometido, não me permitir
Mas corri os dedos pelo teclado.
Soei de encontro ao vento
Uns acordes antigos
La Luna...
E eu chorei novamente agora
No escuro, com vento e o fogo.
O piano (ou era eu ) gemendo.
Só consegui dedilhar
Eu estou tão cansada...ah, tão cansada.
Perdida
Presa
Sem salavação
Será que apenas eu quem vejo
Que a vida é um disco quebrado, repetindo a introdução
Who Wants To Live Forever...La Luna...
Quem será que quer tocar isto, ouvir isto
Abandono o teclado e me abraço
Sou mesmo a única responsável
Por este eterno cansaço
Que se traduz no abandono de tudo o que esperei
Dos sonhos que sonhei.

O PNEU E EU

To tomando fôlego...acabo de trocar um pneu.
Sentei aqui pra refletir...
Dizem que a gente reencarna, e acho um desaforo ser obrigado a isso. Mas essa é outra história.
O que eu quero é que - se reencarnar na marra - eu venha "mulherzinha".
É, isso mesmo. Desejo que todas as mulheres-machinho que povoam a terra venham mulherzinhas. Há !!! Não é uma praga gurias, é a nossa salvação. Depois disso, só mesmo o nirvana.
Eu, por exemplo, não vou ter idéia de como se troca um pneu. Contrário a este procedimento masculino também vai ser o fato de que vou ter enormes e bonitas unhas cor-de-rosa, braços finos como varetinhas. Aliás vou ter uma compleição delicadíssima. Vou ser branquinha, fragilzinha, levinha, baixinha...toda "inha" !!!
Não vou nascer gritando, capaz que vou ser gritona. Toda só sussuros e murmúrios meigos.
Rosa, serei apaixonada por todos os rosas do universo e babados...muitos babados.
Nunca vou ficar braba, vou ficar sempre muito "sentida".
Não vou brigar, vou me desmanchar em lágrimas e soluços profundamente magoados. Claro que por qualquer coisinha, qualquer insignificância. Ah, lebrei...eu vou saber desmaiar. Juro, eu que nunca desmaiei por cálculo renal, por homem, por ver sangue e bisturi; vou desfalecer com a propriedade das mulherzinhas. Aquelas que colocam todo mundo pra correr na volta delas.
Ai, eu invejo tanto essas garotas. São tão lindas e doces...
Acho que to mal encaminhada. Não ando lendo romance de banca de revista, nem os conselhos da revista Nova. Putz, eu leio sobre homicídios e investigo sobre lançamentos de carro.
Não, a "telma" aqui não é gay. Nada contra, nunca provei. Quem sabe até pode ser por aí...hahahahaha
Aff !!! Ia ser contra meus planos de ser muito, mas muito mulherzinha. As mulheres gays, acho que não tem muito saco pra meninas assim.
Bom, pra ser mulherzinha eu não posso me meter em construção, tenho que bordar ponto cruz. Ouvir a Paula Fernandes e chorar. Tremer toda quando ouvir uma voz grossa ficar alterada. Não suportar dormir sozinha.
Ai, ai...eu daria tudo pra ser mulherzinha. Não estaria aqui, com falta de ar e cansada de trocar pneu. Eu teria rodado 400Km com o pneu furado e depois perguntado a um marmanjo que me socorresse o que estava acontecendo. Ele ia me pagar um sorvete e se apaixonar...

Bom, conclamo todas as garotonas, fodonas, duronas, independentonas...
Mulherzinhas na próxima encarnação!!!
Ou que pelo menos a genética se defina. Se é mesmo pra vir Maria ou se é pra vir João.
Mas se tiver que ser Maria...eu quero ser açucarada, fragilizada, embonecada, nunca suada, muito disputada e, quem sabe...menos crítica e estressada.
Ah, faz uns dois meses que andei de desconfiar que meu nome não combina comigo. É um nome tão feminino. Parece mesmo que não soa bem em quem troca pneu e usa galochas. 
No retorno quero ter nome de flor. Podia ter uns memorandos circulando por aí com as instruções pro pessoal onde a gente for pousar. Me chamem por nome de flor...me deem uma educação refinada.
Façam de mim, por favor, uma mulher delicada.

quinta-feira

PEREIRAS

Hoje voltei pra casa feliz. Feliz por ter feito parte de um Sabbath... Ah, não pense em fogueiras ou  festivais. A reunião foi aniversário de uma dessas mulheres que florescidas, nasceram invernais. Uma mulher... não  qualquer mulher. Uma mulher do meu clã. Sim porque eu não tenho família, eu tenho clã. Morar na mesma palhoça nem pensar, mas experimente erguer a voz ao se aproximar.
As minhas mulheres, mulheres que amo, são umas onças, são lobas, são bobas... são cada uma, porte de rainha e inteligência científica. Maduras ou jovens... de raiz ou agregadas. Todas são mulher-árvore e em formato de raiz de Pereira deixam na vida pegadas.
Sou crítica e analítica, mas não vou ser humilde aqui. Essas mulheres são lindas... cada uma de um tom, um estilo. Dá pra vislumbrar nas diferentes linhas, as sombras do tanto em comum. Sorrisos, pernas, cabelos... coragem, fulgor...todas reservadas e tão cheias de um espírito tempestuoso de amor. Amores característicos. Míticos. Femininos e matriarcais.
Não me lembram açúcar e sim melado, algo que adoça e se mantém encorpado. Não são bambu, porque não vergam nem a sós nem juntas; são carvalho, raras, nobres, fortes. Independentes, mas ok, conte com elas... Se uma precisa de colo nada de muita lamúria, o funcionamento do correio garante uma muralha de carinho e fúria.
Herdeiras de Augusta princesa transformada em amazona e de Octávio o amor caído em batalha. Um quarteto, unidade fracionada que guarda cada uma em si o mesmo lar. Trabalhadoras...mães...avós...irmãs...amigas...
Pode-se vê-las aos pares, trios ou mesmo em um enorme bando. Clã por inteiro, cheio de amores complementares raízes que se estendem e entrelaçam. Abraçam quem chega... depois revisada a segurança, é claro. E que delícia o respeito ao espaço alheio sem perder o gosto pelo comunitário.
Não, nunca conheci fraternidade igual a esta de que faço parte. Poderosas mulheres “augustas” que detém o segredo de andar de mãos dadas e fazer de cada encontro, uma arte.


JUSTIÇA À MODA ANTIGA

Eu desconfio que estou fora de moda. Cursei Jornalismo e Direito em tempos em que o sonho dos jornalistas não era emagrecer na TV e em que o sonho dos candidatos à magistratura ia muito além de salário e poder. Eram tempos em que ser magistrado, promotor e até jornalista, era dispor de sua vida em favor de uma espécie de sacerdócio. A coisa toda nessas profissões girava em torno de frases batidas como: promover justiça, ser o fiscal da lei, proteger os direitos dos cidadãos; levar aos jornais verdades incômodas, mentiras mascaradas e realidades marcantes.  
Estive do lado de dentro do mundo televisivo assim como do mundo jurídico. Assessorei  juiz, num tempo em que equívocos aconteciam apenas por conhecimento insuficiente; e isto já era coisa  gravíssima. Claro foi numa era em que juízes ainda trabalhavam na madrugada...restam poucos.
Bom, quando surgiram os ‘novos magistrados novos’ no mercado, eu achei até interessante. Talvez uma brisa fresca no entrave da justiça... Ah, que engano imenso. Recentemente fui tomando ciência de que juiz despreparado, jovem demais e, em alguns casos com um caráter duvidoso, pode querer fazer pencas de melhores amigos em cada cidade que chega, expondo-se à expectativas interesseiras e envolvendo-se com obscuridades. Juiz de antigamente, quando se aproximava de ex-detento, era para orientar sua reintegração na sociedade, não pra ser amigo do peito. Aliás Excelências tinham cuidado com quem recebiam em suas casas. Tentavam não criar vínculos que os expusessem à desconfiança pública. E não eram mesmo mereceredores de desconfiança pública.
Isto foi num tempo em que ‘homens da lei’ não freqüentavam colunas de fofocas em imprensa marrom partidarista, não ficavam famosos por festas e orgias, não tinham garotas seminuas correndo por seus jardins, não apresentavam-se na praia em trajes sumários, não viviam em busca de fama e grana...e só.  Os caras pra alcançar um cargo de tamanha responsabilidade e compromisso, tinham que entender o significado de palavrinhas como: moral ilibada, imparcial, incorruptível, reservado, direito adquirido, justiça !!!
O juiz, o promotor, o delegado, procurador, desembargador...não são pessoas maiores nem melhores que ninguém. Mas eu, na minha ingenuidade antiga, acredito que são diferentes. Tem responsabilidades tão pesadas, compromissos tão caros, ideais tão elevados em torno de si que, devem sim, ser diferentes. Devem, obrigatoriamente, seguir o melhor caminho, tomar a decisão mais correta, ter o olhar mais neutro, a atitude menos arrogante.  Precisam de um caráter irretocável, de relações íntimas equilibradas, de uma experiência de vida que lhes de discernimento. Estas pessoas precisam oferecer aos cidadãos honestidade, esperança, confiabilidade, exemplos. Creio que argumentar haver nas esferas mais altas de poder tanta corrupção, não livra nem ao juiz, nem a você, nem a mim do ônus da correção.
Um amigo me lembrou estes dias que: O diabo não é diabo por ser velho, mas sim por ser cansado. Hoje, talvez muitos de nós se sintam assim...cansados. Não importa, não se trata de vocês ou de mim. Trata-se da tal coletividade que precisa estar azeitada pra funcionar. É chato ter juiz ‘descansando’ em casa com manutenção de ganhos proporcionais ao tempo de fracasso. Mas é impossível permitir que pessoas em qualquer cargo que demande responsabilidade, permaneçam perpetrando desmandos. E, pra mim que sou velha e cansada como o diabo, é triste que os antigos sacerdócios profissionais tenham cedido lugar a indústria dos concursos.
Eu, um dia, pensei em seguir a magistratura... mas me dei conta que não teria condições emocionais de atender à imensa demanda humana por justiça, sem prejudicar minha saúde e minha vida privada. Fui franca e decepcionei algumas pessoas ao dizer: “eu não posso, porque maior que o salário, mais alto que o cargo, é o compromisso com a verdade, que vai roubar meus dias e noites. E a busca incessante pela justa medida das coisas,  vai me roer até o tutano dos ossos”. Ser desistente tem um peso. Fazer escolhas, abdicar, decepcionar, abrir mão de sonhos. Talvez umas insignificâncias para quem alcança o olimpo... por motivos errados, escolhas equivocadas, ambição. 
 Bom o que eu penso não faz escola... sou uma interiorana ultrapassada e crédula que lembra bem do tempo em que fio de bigode de coronel, valia por uma fazenda e quando fio de bigode de juiz, valia por um império. E sou quase tão cansada quanto o diabo que anda por aí vendo sempre a mesma coisa há milênios.... Milênios de desmandos.
O que me dá esperança???? Ah, é que as vezes alguém cai lá de cima...aí sim a gente pode sentir o ar renovado e uma certa vontade de seguir acreditando.