domingo

DESENCANTO

Me vi Narciso, não me achei a perfeita imagem.
Me senti Ariadne, mas não tinha o segredo do labirinto.
Me pensei Diana, então por quê a aljava já me pesava tanto?
Me vesti de Vênus, não suportei o fulgor.
Para ser Medusa, não havia vontade pétra.
Para Anjo, me faltava candura...
Então me imaginei uma Serpente caída
rastejando em culpas assumidas e em
culpabilidades impostas.
Mais calma, pensei me conhecer
e deitei-me ao sol. Não troquei de pele no entanto.
Permaneci antiga, marcada, equivocada talvez.
Não era Serpente também.
Refletida em um padrasto espelho, finalmente
vi quem eu era...
Nem mito, nem tormento.
Sem alento eu era Gente.
Criança símio, desencantada,
sem noção do caminho,
sem selo de autenticidade,
sem nada.
De volta ao espelho d'água gritei:
Deusa, deusa acorda em mim !
Só marulho e vento em um sussurro:
"Vá pra casa Bandarlog; vá pra casa.
Cria teu próprio encanto e tua história
Tu viveres já tua glória...
Não peças mais,
Não peças mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário