
Não, não é insônia.
É falta de vontade de dormir.
É vontade de ficar percorrendo mundos imaginários, labirintos de lembranças, fragmentos de idéias.
Como nos custa organizar todos os pedacinhos de uma vida. Quando há uma vida antiga e caminhamos para uma vida nova, não podemos simplesmente seguir ao largo. Não se pode expurgar o que se foi, o que se fez, o que se quis e o que se teve.
Para os rompimentos há que ter sutura.
Para as feridas há que ter cura.
Para a morte há que haver luto.
Para o silêncio, o entendimento.
Para as palavras ditas, o sincero lamento.
Para o calar, certo distanciamento.
Assim que tem que ser. Uma nova vida não pode ter sincronia se não acertarmos as contas com o que deixamos para trás.
É uma questão de maturidade e coragem.
Em alguns momentos não se pode pedir companhia, não se pode fugir de onde se está, não se pode adiantar o relógio.
Porque são passagens obrigatórias. E não existe começo sem antes ter havido um fim.
...não, não é insônia. É vontade de retroceder ao quando e ao porquê.
E assim se desvendam novas formas em mim. Eu me leio e releio. E já posso dizer que algo ganha forma.
Uma nova mulher em uma nova realidade.
É mágico e emocionante.
Mas é para quem não tem medo de fantasmas.
Para deixar a vida entrar estou quebrando todas as vidraças...inspiro forte, sorrio e não me arrependo...nem há tempo para dormir.
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