segunda-feira

PENSANDO NO AMOR

Eu ando pensando muito no amor.

Ando analisando, questionando, colocando empecilhos, tentando desacreditá-lo para mim mesma. Não acho que consiga. Como bem canta Ana Carolina " eu fui feita para o amor da cabeça aos pés..."

Bela conclusão mas e daí?!!!

Amar cansa. Amar é um saco. Amar dói. Mas a maior pretensão do amor é tirar a liberdade. O amor pra se dar a conhecer exige introdução, comentários e epitáfio. Um epitáfio de respeito diga-se de passagem, pra dar certeza de que o 'aqui jaz' fique bem explicado. E isso toma um tempo capaz de ocupar uma vida toda. Há, e ocupar uma vida toda amando é...nem sei o que é. Aliás sei, mas nem vou comentar.

Eu acho que o amor não pode nos tirar a liberdade, não pode nos afastar daqueles preciosos momentos com outros elos da cadeia humana, não pode sufocar, não pode invadir, não pode nos tirar de nós mesmos, nos transfigurar, nos abortar.

Amor daqueles de cinema, dos de verdade, igual ao da nossa avó. Isto não é amor. Na verdade é algo bem maior. Esta denominação de 'amor' dá-se a algo que é na verdade um pacto. Um pacto silencioso, mais vital do que o sanguíneo. Um pacto como aqueles que levou homens de outras eras a lutarem por uma crença, daqueles que fez esposas jogarem-se nas piras funerárias de seus amados, servidores serem lacrados em uma tumba no deserto com seus senhores...

Tudo o que eu tenho visto, ouvido, sentido pelas ruas nada tem de amor.

Tudo isto a que assisto são paixões, apegos, conforto, gostar...

Num pacto de amor dá-se tudo. Entrega-se a vida, os sonhos, dias e noites, esperanças, vontades...neste tipo de vivência não se fala; cala. Não se olha, absorve. Não se arde, abranda. Não se quer amanhã, quer o sempre, o tudo. E o tudo ainda é pouco.

Pactos devem ser inquebrantáveis, inabaláveis, inamovíveis, eternos. Ecoar nos dias felizes que passam. Reverberar em quem está em volta. Mas o mal dos pactos é que ninguém compactua com a ausência, com a inverdade, com o engodo. Ninguém ama sozinho. Assim na verdade os pactos se extinguem...suavemente numa penumbra de lástimas. Os pactos tem fim sim; triste conclusão. O amor se ausenta.

Isso é amor pra mim.

Por isto ando pensando tanto e chegando ao entendimento de que, ou estou equivocada ou ultrapassada. Se equivocada, pena. Se ultrapassada, ufa tem solução.

Mas não vou enganar ninguém. Não me sinto nem equivocada, nem ultrapassada. Sou uma louca romântica, isso sim.

Me descobri capaz de amar sempre com uma intensidade que chega a ser injusta.

Só que pensar nunca deixou de ter valia para alguma coisa, e por pensar não ando afim dessa história de pacto. Dá muito trabalho. É muita doação, muita credulidade, muita emoção e, no final, uma sensação de que estive fazendo parte de uma seita de fanáticos alienados.

Tá bom, confesso, mesmo sendo um saco; se for um amor com tudo o que tem direito, eu aceito sim.

Já que me digo feita pra essa coisa toda...avante!!! Se tiver que cortar o pulso e amarrar com uma fita sobre o fogo, eu topo. Com a pessoa certa, eu topo. Olha só essa conversa de pessoa certa. Isso é coisa de quem está prestes a afundar num daqueles pactos de comer a carne e roer os ossos.

As vezes me sinto uma adicta da pior das drogas, do pior dos vícios.

Amar enormemente...

2 comentários:

  1. Que jamais morra o amor.
    Que o amor venha suave como uma brisa que bate e passa tocando cada rosto,
    ou quente queimando a alma.
    Mas que VIVA o amor, fazendo a vida existir dentro de cada um de nós.
    Viver é amar, amar é viver...

    Bjss linda pessoa!

    ResponderExcluir
  2. Lindas palavras
    E verdadeiras...suave ou incendiário, vivamos !
    Bjs a vc também que é tão especial

    ResponderExcluir