Durante minha infância as matinês de domingo eram motivo para sair de casa com os primos, não para ver os filmes. Na adolescência era uma expectadora daqueles filmes no meio da tarde, alguns com um papai “batuta”, ou uns corsários no velho estilo. Claro que admirei o que as massas admiravam...Ben Hur, E o vento levou. Essas coisas.Tudo sempre sem comprometimento. E claro, pesa o fato de que o cinema da minha cidadezinha de interior faliu na década de 80. Eu não tinha mesmo como ser cinéfila.
Entrei pra faculdade de jornalismo, quando ter 18 anos ainda significava ser uma “pirralha” bobona e sem noção. Bobona e sem noção é um estado permanente, mas naqueles tempos a coisa era bem pior. Quando olhei o currículo do curso, vi lá as cadeiras de cinema. Achei ótimo. Parecia que eu ia ser salva da ignorância cinematográfica...Bem, o mesmo professor lecionava Cinema 1 e Cinema 2. Era um cara Chamado Reis, um “crítico de cinema” local. E bem local. Mas o cara era respeitado e realmente entendia da arte. Um tipo baixo, grisalho e ensimesmado...e que tinha como particularidades gostar de filmes Noir e exercer o ofício de professor em permanente monólogo. Sempre em tom baixo e no mesmo ritmo sonolento. Ele também não admitia um pio. Já o cochilo em aula não lhe afetava a auto-estima. Rsrsrs...Pois é um fato, que as cadeiras de cinema aterrorizavam e causavam muita reprovação. Fiquei sabendo o motivo já na minha primeira aula com ele. Exames orais !!! O tal do Reis aplicava exames orais onde os alunos deveriam mostrar vários posicionamentos de câmera, tomadas de cena e tal. Todo mundo morria de pavor disso. Eu surtei por outro detalhe: o exame era oral prático e também teórico. Puta merda !!! eu nunca tinha sido sabatinada na frente de ninguém nem no primário, e agora ia encarar um negócio daqueles. E mais; sobre cinema. E pior; o homem tinha fixação em datas. E o impossível; eu não tenho memória pra datas ou nomes de ruas.
Vi que não ia me tornar expert em cinema com a ajuda da faculdade. Como aluna novata, CDF e com mania de competir com o espelho; passei com louvor. Assim como passei com louvor na única cadeira que me causou risco de enfarte. A tal da Lógica...mas esta é outra história. O que fiz pra ser aprovada foi estudar como que para salvar a minha vida e esquecer tudo imediatamente após vomitar em cima do homem. E cinema pra mim voltou a ser pipoca e diversão. Adoro filmes e isto é muito diferente de apreciar cinema. Gosto de bobagens comerciais, desenho animado, alguns heroísmos, um bocado de barbárie e até algum terror...eclética até sou, mas não tenho intelecto para o Cult ou filmes franceses. Não sei nada de diretores. Sei pouco de atores. Comédia, pra mim só se opõe ao trágico, porque graça nunca achei. Não tenho idéia de quem está fora ou dentro da tal “academia”. Apenas suspeito o que é “alternativo”. Não to nem aí pra Cannes ou pro Quiquito. Acho que a festa do Oscar é para lançar vestidos e jóias. Ok, sou sensível às trilhas sonoras, a uma bela fotografia...coisa comum. Não, nunca vou ser cinéfila. E parece que não fui a única a desistir...vejam onde o Jabor foi parar.
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