Confessei hoje à uma amiga que não vai rolar...
Ela também confessou a mim que já não há encanto...
É bem isto. Fiz esforço, me enganei, procurei ver as coisas sob uma luminosidade especial. Mas o fato é que o 'verniz social' vai fazendo a gente ficar algumas camadas mais dura, mais intransponível, mais à prova de tudo. Inclusive do amor em seu estado mais puro.
Eu já amei...e quem já amou sabe. Para amar daquela forma transcendental que amamos quando jovens é preciso uma ingenuidade, uma credulidade que vamos perdendo com o passar do tempo. E vem a capacidade de análise, o senso crítico, a exigência, a experiência, a segurança, e mais uma batelada de coisas bem avessas a um ideal do 'tudo cor-de-rosa'. É bonitinho amar, mas é bem bobo também...
Não, não acredito que vá se repetir. Uma pena. A idéia do amor até que é fascinante.
Talvez eu tenha mesmo estado durante muito tempo apaixonada pela idéia, não pela realidade. É que a aceitação de viver sem o sublime sentimento dos poetas me era aterradora. Precisa maturidade pra aceitar que já não dá mais, que passou, que se está num outro patamar. Verdade seja dita, ninguém quer crescer. Ninguém quer enxergar o óbvio. Ninguém quer dar adeus às melhores fases da vida.
Talvez eu esteja errada e um dia possa sentir algo semelhante. Quem sabe muito melhor, sem tantos percalços e instabilidades. Hummm...sei não; acreditar no "até que a morte nos separe" não é mais a minha cara. Foi um dia, e foi bem legal já que eu era ingênua pra crer piamente. Valeu, foi bom de viver. Hoje acredito mais no "até que a vida nos separe, ou nossas manias, ou alguém, ou diferentes objetivos..." Creio que aposto ainda mais no "até nunca mais, ou até o meu retorno, ou até um dia desses; ou ainda num até que a gente se esbarre por aí, ou até nosso próximo dia agendado..."
Parece tão mais de acordo conosco hoje, não é amiga?!!!
Por ora seguimos conversando sobre o amor como era...nos Tempos do Cólera, nos tempos de Ases Indomáveis na matiné, no tempo de passar o Bubaloo de uma boca à outra, no tempo em que não tínhamos a real dimensão da coisa... ou seja, que quanto mais se sabe, quanto mais se vive, quanto mais tudo...mais envernizadas ficamos.
Amiga...Sem nostalgia mas que bom era quando 2 corações batiam em sintonia, e não apenas 2 indicadores e polegares se unindo e formando um coração vazio no ar...
ResponderExcluir...com nostalgia...
ResponderExcluirDá uma nostalgia tremenda.