quarta-feira

SAPATOLÂNDIA

Do nada resolvi arrumar meus sapatos. Assim, sem ter nem porquê...Sentei no chão e começei a jogar todos pra fora das prateleiras. Novos, velhos, muito usados, sem uso, apertados, altos baixos...e então comecei a pensar em outros altos e baixos, nas idas e vindas. Não dos sapatos , mas da minha vida.
Coisa estranha fazer retrospectiva no meio de janeiro, sentada no chão do closet cercada de sapatos.
Num canto uma caixa de biquinis tamanho 'midi' esperando doação, meu cachorro dormindo esparramado e acalorado e um pequeno grilo pretinho muito simpático. Grilos em closets são um atentado, eles roem roupas mas e daí. Grilos pra mim são parte consciência humana gritando por aí pra avisar e não sendo ouvidos nunca.
Toda a mulher tem mais sapatos do que pode usar. Sapato não é pra usar, é pra olhar, admirar, sentir seu poder e as vezes, só as vezes levá-los aos olhos alheios.
Olho meu sapato vermelho, lindo...diz muito sobre mim. E aquele de saltos altos, bem fininhos com estampa da Hello Kitty. Tenho alguns que são verdadeiros objetos de desejo...
Olhei os sapatos e o grilo. Já não sei quem sussurrava mais coisas pra mim. Tanta história naqueles sapatos, tantos segredos de mim aquele grilo deve saber...sapatos que trilharam rumos ímpares nos últimos tempos; grilo que conhece os rumos dos meus pensamentos.
Tem coisas que é melhor não revirar. Desisti dos sapatos.
O grilo fica lá, morando e se alimentando das minhas roupas. Lá trancado, uma consciência cricrilante.
Escolho um chinelinho confortável e sem significados e vou andar na praia.

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