quarta-feira

TEMPO PERDIDO


Não me diga que não há tempo perdido e nem que somos ainda bem jovens...que temos tempo. Não diga nada, se nada tem a dizer. Porque eu sinto um gosto amargo na boca, um gosto de passado distante que não consigo definir. Não é amargo, nem tão pouco doce...é na verdade acre.

E tudo passa ao nosso lado correndo fazendo parecer que estamos parados e que temos todo o tempo do mundo.
Mentira. Nosso tempo está acabando. Eu quebrei aquele relógio com um martelo num dia chuvoso de inverno. Foi um marcador de tempo resistente, mas tinha apenas uma direção e eu não quero mais uma direção só. Nem quero parecer estar a 20 Km/h numa via expressa. Lá, encolhida no lado direito da pista enquanto passam 11 Big Brothers, passam os Mamonas Assassinas, passa a validade dos nossos diplomas e todas as gírias que eu conhecia.
É tanta perda de tempo e correr atrás do tempo com essa fome toda me parece que também faz perder algo...não tem saída.
Ao longo do caminho do tempo perdemos tudo; elasticidade, boa vontade, ingenuidade, e a mania de fazer alarde de tudo que era tão bom.
Não venha olhar pra mim e dizer que não há perda de tempo, que é subjetivo, idealizado, hipotético. Não estou no cenário de Matrix...estou a caminho do fim. E você meu bem...ah, você também!

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