domingo

AREIAS DO TEMPO


Um contador de histórias muito antigas disse que algumas almas vão sempre se encontrar.

Aconteça o que acontecer, geração após geração, estas almas vão se encontrar. Que teriam sido forjadas nas areias do tempo, uma ligada à outra. Duas partes gêmeas...que podem ser separadas pelo mundo, pelos tempos, pela guerra, morte, traições...sempre se reencontrarão e andarão juntas ao longo do caminho.Mais tarde ou mais cedo. Vindas de perto ou distante. Falem diferentes linguas, tenham nascido sobre distintos horizontes. Vão se cruzar, se reconhecer e se unir.

O contador de histórias sabia de tantas coisas importantes...mas ele não soube dizer quantas são as almas que vem em duplicidade e quantas são as ímpares. É um mistério e um milagre.Ele não precisou dizer, no entando, que não há inverdade em sua história, eu sei...

Eu lembro ainda, quando nos desertos a beira mar eu andei descalça. Eu lembro das casas de barro, das redes de peixes. Lembro de homens, mulheres crianças. Quase posso ouvir o tropel dos cavalos e sentir a mão que se estende a mim.

É, eu sei que algumas almas vão escorrer juntas pelas areias do tempo. Vão se perder, vão se afastar, em alguns momentos sequer se reconhecer...mas no final. Lá no final das eras vão se alcançar.

Eu ouvi o velho contador e suas histórias antigas. No fundo de seus olhos embaçados havia o conhecimento dos séculos. Algumas almas são metades que buscam a si próprias...algumas vão sofrer a incompletude, outras experimentar o ardor do reencontro.

É tudo verdade.

Um tanto de dor e de saudade.

Sem provas nem justificativas. Apenas pedacinhos de seres girando perdidos nas areias do tempo.


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