Há dez meses adquiri um cachorro boxer. Um belo filhote a quem dei o nome de Eros. Eros para me lembrar sempre que eu acredito no amor...
Apesar de tanto gostar de mitologia nunca tinha parado para pensar em Anteros.
Anteros é o irmão de Eros. E enquanto este último é representado como um luminoso anjo de cachos dourados, olhar azul e asas brancas; Anteros é um deus de longas melenas negras, olhos e asas negros.
Eros representa o amor apaixonado e impulsivo, o sentimento que une...Eros não admite o ímpar, a solidão. Este deus nunca cresceu, é intempestivo e imaturo, criança eterna...No dizer da poesia grega é um "deus alado, arqueiro ágil que brinca com os deuses e os mortais". Eros é inconsequente e causador de dores.
Anteros foi criado para ser o irmão que cresce, que amadurece. Anteros é o outro lado do amor...o ódio, a separação, o ímpar, o discenso. Anteros é a razão, a solidão, o discernimento, o rompimento. Consequentemente Anteros também é causador de dores em deuses e humanos. Irmãos, duas faces de um mesmo sentimento. Amor e ódio. Próximos, gêmeos, duas interpretações para uma mesma força dantesca.
Meu cachorro é imaturo, inocente, puro, bobo, apaixonado, incansável...chama-se Eros afinal. Acho que escolhi bem. Estou acompanhada do Eros para nunca esquecer de quanta impulsividade e dor seu deus homônimo é capaz de causar. Mas eu hoje não escolheria viver sem meu Eros.
Quanto a Anteros, passei a conhecê-lo há pouco tempo e somados os dois, não sei se sou grata por permitir que o irmão dourado se sobreponha em mim...
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