quinta-feira

Trem Bala

Nas últimas campanhas presidenciais falou-se muito em trens. A gente sabe que em época de campanha se redescobrem objetivos perdidos a torto e a direito. Mas trens sempre foram um tema que me motivou a questionamentos.
Já ouvi mil teorias sobre a preferência pela implantação desta imensa e tenebrosa malha rodoviária no Brasil em detrimento de ferrovias. E também sei que se tivessem sido implantadas ferrovias em quantidade estariam iguais as de filme de faroeste.
Quando penso em trens, penso em Japão. Como não pensar?
Eu, por exemplo estou querendo ir esta semana até a capital do meu estado. De minha cidade até Porto Alegre se vai em cerca de 2hs. Em um ônibus vou levar desgraçadas 3 horas e meia. Tempo que dá pra recuperar o sono, ler, ouvir música, se chatear com os demais passageiros...um tempo imenso que nos faz perder tempo.
Então não posso deixar de imaginar um trem. Um daqueles elevados, rombudos e lustrosos que passeiam sem tocar nos trilhos como aviões à jato em forma de centopéia. Ele deveria começar em Buenos Aires, imaginem nós ligados à capital Portenha. Os garotos iam poder assistir aos jogos na La Bombonera...hahahá. Ele viria direto ao Rio Grande do Sul com paradas instantâneas em algumas cidades. Depois Santa Catarina - nem precisava entrar na ilha - Paraná, São Paulo...Rio a gente deixa de fora porque tem que fazer um desvio e não quero ver meu trem queimado. Subia por Minas em direção à Bahia ia direto para Alagoas, depois Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Faria uma grande curva e seguiria pelo Maranhão, Amapá e Roraima.
Sua última estação seria em alguma cidade da Amazônia.
Pensem na maravilha, no fluxo de pessoas e de negócios...
O preço deveria ser menor que de uma passagem de avião. Vamos desafogar os aeroportos e terminar com esse gasto ridículo de combustível. As poltronas teriam mais de 40 cm de largura, haveria banheiros e lancheria privatizados.
Minutos e puft. Estou na estação de Porto Alegre. E se me der na telha, mais um instante e posso estar curtindo uma praia no Nordeste.
Não sei se vocês repararam mas a rota do meu trem tem o formato de um ponto de interrogação.
Tem sim. No meio, inacessível, está a planaltina. Descomposta, abandonada, árida em todos os sentidos. Quem sabe até ocupada pelo Michel Temer. Já basta pro trem não passar.
Não ia dar pra conviver com o pessoal do colarinho branco querendo levar malas suspeitas até o Maranhão num passe de mágica.
Não, meu trem é japonês lembram?...é honesto, funciona e visa o avanço do País. Nada semelhante à região do planalto. Então, eles a gente ignora já que tem que engolir.
To só pensando na minha ida pra capital. O quê seria, uns 15 minutinhos no meu bólido imaginário?
Nem precisaria levar almofadinha, água, um livro de 600 páginas e um saco de paciência.
Ainda espero que amanhã não esteja muito calor, porque duvido que o ar condicionado do buzão esteja funcionando...eu não to no Japão afinal, não é.

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