
A distância da minha casa até a beira da praia é de uma quadra. Eu vivo num bairro tranquilo onde os adolescentes da casa ao lado nem parecem existir.Então porque eu e talvez o pessoal de todas as casas ao longo de umas cinco ou dez quadras tem que escutar essa coisa horrenda que alguém tem a ousadia de chamar de música? Na minha própria sala essa coisa parece que está saindo do meu som. Não, não é do meu som...porque eu simplesmente odeio funk. Até nem digo nada dos movimentos sociais que ele envolve, juro. Mas odeio de morte esse tum, tum que sacode as janelas da minha paz.
Tem gente, eu sei, que acha ruins as letras. Mas que letras?
Isso que toca hoje tem até cavalo relinchando, eu juro. Já teve tigrão, já teve cachorras e agora fazem um elogio a si mesmos colocando relinchos no meio da 'música'.
Tá bom, eu não tenho legitimidade pra falar de música. Minha juventude foi na sombria década de 80 quando bom era Cazuza, Legião Urbana e afins. Eu acompanhei o Rock'n Rio -aquele do vinil do planeta na capa que alguém deve lembrar - madrugadas à fio com direito a Nina Hagen e Ozzy. E de lá pra cá eu me tornei um ser amorfo em termos de gosto musical. Eu curto muito o Pink Floyd, mas isso não me exime de gostar do Supertramp. E a coisa foi piorando com a idade quando me encantei por Sarah Brightman. Indo além eu curto muito ouvir Carmina Burana e o Fantasma da Ópera. E me rendo a piada gótica do Blackmore's Night.
Techno pra mim era bom quando o pessoal dava uma 'guaribada' no Chilli Pepers.
Agora mesmo o pancadão tá rolando solto. Não dá pra saber onde nem a que distância porque eles são móveis com direito a mega investimento até em luzes neon.
Voltando ao meu mau gosto musical, eu escuto ainda alguns blues, Vanessa Mae e até umas descobertas de algum amigo descolado. Claro que eu prefiro mesmo é a Ana Carolina e parafraseando uma música velha: 'Telma eu não sou gay'. Há, até se fosse podia estar mais bem acompanhada.
To me perdendo no assunto. Afinal como vocês querem que consiga concatenar as idéias com esse cavalo e alguém gritando 'baby' mil vezes sem parar.
Hoje não é exceção. Nem é porque o verão tá chegando. É a contracultura musical mesmo.
Claro que eu não entendo. Como vou entender se quando ando no carro escuto a Bonnie Tyler e canto Eclipse of the heart esganiçada com os vidros bem fechados pra não incomodar ninguém.Como diz a minha mãe, as músicas que eu gosto não são boas. Ela curte mais um Capital Inicial e dou o braço a torcer, ela é boa. Ela nem sabe do meu CD de música italiana do Renato Russo na fase mórbida.
Bom é domingo. Quem pensava em ler um jornal na rede ou cochilar não vai poder. Liberdade condicionada Srs. Eles tem direitos, nós não.
De minha parte vou me encerrar em casa e colocar um CD de Rock Balads no volume máximo, assim pode ser que nenhum refrão assassino cole na minha cabeça.
Ai, tarde demais.Baby you...baby you...
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