
Como se chama o estado inverso à catatonia? Deve haver algo com este nome, uma síndrome, uma doença, um desespero qualquer que defina como estou me sentindo.
Sou daquelas criaturas que não podem ser colocadas à prova. Então desapareça, você vai dizer; porque todos os dias enfrentamos provas. Sim, eu respondo, eu desapareci faz tempo. Mas como continuo no modo de operação básico e algumas coisas absolutamente imprescindíveis eu preciso encarar...bom eu surtei.
Pessoas de quase 40 anos também fazem simulados, eu nem sabia. Mas hoje fiz um. Então no exato instante que alguém disse "hoje estamos fazendo um simulado para a prova "...acabou o jogo pra mim. Game over, the end...terminou a brincadeira. Eu saí do controle, perdi o domínio de mim. Parece brincadeira mas não é. Isso acontece com quem não sabe, errar, não confia em si, não aceita os tropeços e falhas...não as dos outros, porque com estas eu sou pra lá de tolerante. Essa sou eu. Não, mas aquela não podia ser eu hoje pela manhã. A pessoa que até o dia de ontem dominava totalmente a questão deixou seu lugar para uma menina de 8 anos de idade. Uma garotinha assustada sentada em frente a um quadro negro preenchido pela tabuada. Eu nunca consegui dominar os números - felizmente havia o alfabeto pra eu me sentir humana -. Foi sempre uma dificuldade sentar em frente de uma folha em branco e ver surgir no espaço da minha mente perturbada um neon com a frase "você não sabe"!!! E daí a coisa toda perdeu o controle e eu passei ao você não pode, você não consegue, você não vai...
Não há terapia que de jeito. Mesmo programada terapeuticamente como um cachorro adestrado, o neon maldito não queima com passar dos anos. É mais resistente que eu que saí correndo.
Dessa vez, como de outras, eu não vou poder sair correndo. Daqui a dois dias a prova vai ser feita por uma menina num corpo de mulher; olhos arregalados, respiração entre cortada, suor na testa. A nota? Nem quero imaginar.
Alguém me disse: não tente se garantir com um Rivotril, vai embotar seu cérebro. Talvez seja por aí o caminho; um cérebro embotado de uma mulher de 40 pode ser melhor que a nebulosa de uma criança fantasma que insiste em não buscar a luz.
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