domingo

O Sétimo Dia


Hoje andava na rua prestando atenção às pessoas...
Domingo de sol...calçadão da praia
Eu não passeava apenas andava
Ouvia fragmentos de conversas, sussurros, risos.
Eu observava os olhares, as cumplicidades, as evidências, o mau humor, o tédio.
Me peguei perguntando a mim mesma o que quero para mim e não soube bem o que responder. Já quis tanta coisa, já estive certa de tanta coisa...agora parece que querer muito não faz sentido e estar muito certa é na verdade, um perigo.
Então passei a me perguntar se saberiam todas aquelas pessoas o que querem...duvido.Mas olhando me parece que não muitos fazem perguntas no espelho, perdem tempo com auto análise, críticas a si mesmos, transcrições noturnas dos eventos do dia.
Acho que a cada geração mudamos de forma assombrosa, ofensiva, porque não dizer. Tudo parece igual mas não é. Vejo uma ausência de sentido que não havia antes. Parece que enxergo planos de fuga da realidade em cada olhar por que passo...ou 90% pelo menos.
Os risos artificiais, o nada a fazer e nada a dizer.
Eu sou mais uma que sofre com o ócio. Máquina do diabo, oficina de problemas. E sofro com os excessos...afinal sempre sofro.
Personalidade melancólica...quem sabe realista, inquisitiva, inconformada...Porque quem anda na rua em um dia de sol não perde tempo observando as reações humanas do alheio...Eu perco.Aliás perder tempo com outros seres humanos sempre foi parte da minha oficina...aquela do diabo. E se o diabo veste Prada, ninguém me contou. Ele é insurgente, feio e mal educado. Ele joga na cara, queima ilusões, mata de saudades.
Foi ele que me fez sair de casa para andar. Porque andar a esmo, sem destino é coisa dele. Não digo que ele maquina as piores gracinhas... Ficar angustiada com os rumos da juventude também só pode ser coisa dele. Alías viver de angústias é característico dos possuídos.
Como li em um livro dia desses, Deus fez o mundo e foi dormir. O diabo ficou bem acordado.
Mas vá lá, o cara tem senso crítico. Ele atribui a alguns um poderoso maquinário pensante. Isso também significa dizer que ele é irônico e maníaco.
Porque esta máquina na cabeça a vida toda é o inferno...e não adianta sair para caminhar pra não pensar no que há de errado aqui...porque então a gente repara no que há de errado lá.
Claro que tem coisas certas. O sol estava maravilhoso, a brisa tinha cheiro de maresia, havia uma certa alegria no ar, uns cachorros muito autênticos correndo na areia, umas crianças gritando.
Então porque será que de resto me pareciam todos zumbis...
Sei lá. Saí de casa instigada por um diabo. Boa coisa não podia ver nem ouvir.
Não adianta tentar, o sétimo dia é mesmo nefasto.


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