sábado

Você



Então era assim, você andava sobre a terra há uns bons anos e ainda não estava pronto.
Você não tinha aprendido a reconhecer os sinais que a vida lhe dava.
Não se sentia comprometido, não tinha grandes idéias, não gerava grandes conflitos.
Para todos, você era apenas alguém normal... mas um dia alguém teria que descobrir seu segredo. O que você procurava esconder de si mesmo; que havia um vazio, um limbo no que era você.
Você se olhava no espelho todas as manhãs e não podia ver o que faltava. Não assimilava conhecimentos, não lembrava das grandes passagens, não rememorava grandes momentos. E quando você se abria, não vinha nada, porque nada havia.
Quando alguém gritava, você se omitia. Quando alguém chorava, você fugia. Quando alguém caia, você nem sabia.
A calmaria, a placidez não é pra sempre. Pra quem não quer despertar, tem água fria. Pra quem não quer ceder, tem a solidão. Pra quem não que viver, tem a guilhotina.
E tudo isso um dia lhe cai nas mãos...
E agora você???
O que é mesmo que vai fazer???
Chegou ao final da trilha sem saber como roçar o mato e enfrentar os espinhos. Olhou para os lados e estava sozinho. A felicidade fora um engodo. A busca, um fracasso. A escolha, uma vergonha.
Então resta andar e andar. Por ainda muitos anos, a esmo. Fingindo que aprendeu algo, que tinha alguma idéia, que somava grandes momentos. Se iludindo que sabia amar, que conhecia a felicidade. E por fim, assustado, sem saber abrir caminho... sobre talvez à você, guilhotina da vida. Tem o peso certo para os seus dias. Ela é do tamanho certo para alguém assim como você, um eterno inacabado.

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