segunda-feira

A Rosa e a Noite



É noite. E filha da noite eu me considero.
Então visto uma camiseta do Elvis pra me embalar. Ligo o ar no calor máximo pra espantar o frio que está invadindo as horas da primavera.
Subo em minha grande cama de rainha. Cheiram bem meus lençóis brancos sob o edredon branco...uma única rosa me espreita aos pés da cama e como eu, não é botão nem fenecida. É uma rosa desabrochada e tem a cor da minha boca.
Espalho livros em torno de mim. A Teoria das Janelas Quebradas, Picasso, O Último Irmão, Antologia do Poetinha...os acaricio como se fossem crianças adormecidas, mas não escolho nenhum.
O som na sala toca Laguna Sunrise do Black Sabbath e uma melancolia gostosa me invade.
A noite parece morta mas eu sinto o pulsar tranquilo da minha paz. Me embrenho nas cobertas e fico bem quieta. Quero um sono bom.
Olho a rosa no edredon. Amanhã ela vai estar igual...a cada noite sempre igual, sem nunca fenecer.
Penso nisso e adormeço...

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